Falar da importância da visão humana pode parecer
grande redundância. No entanto observando-se muitos locais de trabalho
nas mais variadas empresas nota-se que nem todos ainda entenderam o
quanto este sentido é essencial para a consecução dos trabalhos. Tal
fato na verdade não no causa lá grande admiração até porque outros
itens mais evidentes no que diz respeito a falta de condições
adequadas no meio ambiente do trabalho são abundantes e nem mesmo
soluções para estes são buscadas com esforços mais sérios.
Na verdade o olho humano é o receptor mais
importante de informações. Alguns estudos mostram que de 80 a 90 % de
todas as nossas percepções ocorrem através da visão o que não é muito
diferente em muitos trabalhos que o homem realiza. Supostamente
pode-se então acreditar – pela experiência e vivência – que grande
parte da fadiga relativa ao trabalho passe pela sobrecarga dos olhos.
Talvez no futuro tanto os estudos – como mesmo a nossa legislação
tratem o assunto com mais detalhes.
Obviamente fomos projetados e dimensionados para
trabalhar com a luz natural. A luz do dia com céu claro e sem
nebulosidades – o chamado céu de brigadeiro – é composta de 90 % de
luz solar direta e 10 % de luz difusa. Sempre que possível os postos
de trabalho devem ser planejados para o máximo de aproveitamento
possível da luz natural. Neste ponto é interessante citar alguns
números: em um dia nublado de verão é possível encontrarmos de 10.000
a 30.000 lux em locais abertos. – já em dias de verão os valores
chegam a 100.000 lux.
As premissas básicas para a definição da
iluminação de um posto de trabalho devem levar em conta que a mesma
não gere risco de acidentes e ao mesmo tempo seja condizente com as
exigências da tarefa a ser realizada. Para definir o tipo de
iluminação – há necessidade de compreender-se melhor as tarefas
visuais. Uma boa referencia para isso é utilizar a norma DIN 5035 –
que leva em conta a dimensão dos contrastes de densidade luminosa e de
cores que surgem, a dimensão dos principais elementos de estrutura, a
velocidade com que estes devem ser detectados, a segurança desejada
para a identificação e o tempo de duração do trabalho visual.
Obviamente que quanto maior o grau de dificuldade da tarefa visual
maior deverá ser a qualidade da iluminação. Para atender estas
necessidades podemos valermo-nos de um iluminação geral ou de uma
iluminação geral orientada para o posto de trabalho ou por fim – nos
casos mais complexos – de iluminação no próprio posto de trabalho
individual ou não.
COMO VEMOS:
O olho humano gera pelo efeito de refração
–(refração é um fenômeno interessante que acontece com a luz e com
qualquer onda eletromagnética. Refratar vem da palavra latina que
significa "quebrar") – da luz na córnea e no cristalino – uma nítida
imagem do ambiente no fundo do olho – ou seja – na retina. Na
seqüência – células sensitivas a luminosidade na retina são
estimuladas e este estimulo transmitido através de fibras nervosas
chegando ao cérebro como uma percepção. O retratamento ou acerto do
meio ambiente na retina é feito pelo ajustamento do olho através dos
músculos externos da vista. O processo em si – de forma simplificada
consiste em adaptar, acomodar e fixar. O processo de adequação a
diferentes claridades é conhecido como adaptação e ocorre pela
modificação do diâmetro da pupila e por alteração na sensibilidade da
retina. Conhecemos bem este processo quando dirigimos no período
noturno.
Neste ponto é importante dizermos que na
transição da luz do dia para a escuridão o processo se dá de forma
rápida nos primeiros cinco minutos mas depois torna-se lenta sendo que
a adaptação total leva em torno de 60 minutos – sendo que em 25
minutos já ocorreu 80 % do processo. Já a adaptação a claridade é
muito mais rápida ocorrendo em alguns décimos de segundos.
Já a acomodação é o ajuste a diferentes
distâncias e ocorre através da de alterações da curvatura do
cristalino feito com ajuda dos músculos do olho. Os músculos dos olhos
somente estão completamente relaxados na visão de distância porque
cada fixação num ponto mais próximo exige uma contração destes. O
ponto mais próximo para o qual se pode ajustar o olho é denominado
ponto de focalização, que segundo alguns estudos em jovens encontra-se
a cerca de 8 cm e em pessoas de maior idade em torno de 50 cm.
Por fim – na fixação o objeto observado é
retratado através da adaptação da vista na parte do fundo do olho.
VISÃO & ILUMINAÇÃO E TRABALHO:
Como podemos ver acima – o processo da visão é
bastante complexo e implica em uma série de fatores. Por isso mesmo é
de grande importância tanto para a segurança das pessoas como para a
qualidade do produto que a iluminação do posto de trabalho seja
adequada as exigências da tarefa. Iluminação insuficiente implicam
diretamente na perda de desempenho e no aumento do número de
acidentes.
Um antigo e interessante estudo feito por Dall
em 1973 – mostrava a influência da intensidade luminosa sobre o
desempenho, refugo e acidentes:
|
Empresa |
Intensidade Luminosa (Lux)
ANTES
DEPOIS |
Aumento de Desempenho |
Redução de Refugo |
Redução de Acidentes |
|
Metwood Co. |
300
2000 |
16 % |
29 % |
52 % |
|
Erickson Co. |
500 2000 |
10 % |
20 % |
50 % |
A qualidade da iluminação dos postos de trabalho
não é definida apenas pelo nível de iluminação. Deve-se levar em conta
também a distribuição da densidade luminosa, a limitação do
ofuscamento, a direção da luz e da sombra e a cor da luz e reprodução
das cores. Sempre que possível deve-se buscar também uma iluminação
uniforme – por questões que passam a ser obvias devido a citações
anteriores.
No que diz respeito a intensidade luminosa
devemos seguir os padrões definidos na NBR 5413. No tocante as
densidades luminosas no campo visual, pelo menos dos objetos maiores,
deveriam se situar – dentro do possível é claro – na mesma ordem de
grandeza. Já as densidades luminosas de superfícies no meio do campo
facial não devem exceder uma relação de 3:1 e nas superfícies
localizadas entre o meio campo visual e a periferia ou na periferia a
relação não deveria passar de 10:1. Na prática isso quer dizer que as
superfícies mais claras ou mais claras devem estar no centro do campo
facial e por conseqüência as mais escuras ou escuras por fora. O
contraste entre a fonte luminosa e o fundo não deve ser superior a
20:1. No dia a dia isso significa evitar no campo visual - janelas
claras, mesas com superfícies refletoras, maquinas e equipamentos com
elementos brilhantes, etc.
Devemos também levar em conta que além do
ofuscamento relativo, devido a grandes diferenças nas densidades
luminosas no campo visual, também são significativas para a definição
da iluminação o ofuscamento direto e por reflexão, sendo o primeiro o
olhar diretamente para a fonte luminosa e a segunda por reflexo em
superfícies brilhantes. Nos três casos – relativo, direto e por
reflexão – não basta a capacidade de adaptação do olho para ajustar-se
simultaneamente as diferentes densidades luminosas no campo visual.
Assim, o ofuscamento direto – ou seja – olhar diretamente para uma
luminária direcionada inadequadamente para o campo visual ou para uma
janela frontal ao posto de trabalho – deve ser evitado. Sempre que
possível a direção principal de incidência de luz deve vir da parte
superior a esquerda e havendo possibilidade nenhuma luminária num
ângulo menor a 30 º em relação ao plano de visão horizontal. No caso
dos ofuscamentos por fontes luminosas – para evita-los – estas devem
ser instaladas paralelamente a direção da visão.
A reprodução de cores dos objetos de trabalho
depende da constituição do espectro de cada tipo de luz. Por exemplo:
a luz do dia tem uma parcela aproximadamente igual de azul, verde e
amarelo – enquanto as lâmpadas incandescentes uma porção menor de azul
– porém – relativamente alta do vermelho. A constituição espectral
determina a cor da luz da lâmpada. Cada sistema de iluminação – seja
por luz do dia ou por luz artificial – deve ser estruturado de maneira
que por um lado não existam diferenças de densidade luminosa muito
grandes e ao mesmo tempo seja evitada a monotonia pela falta de
contrastes luminosos. Grandes diferenças de claridade dentro do campo
visual implicam em constantes processos de adaptação que levam a um
processo de rendimento visual diminuído.
Outro ponto importa a ser levado em conta e a
definição das cores das instalações, máquinas e equipamentos é uma
tarefa muito mais complexa do que observar a mera questão de gosto ou
estética. A estruturação das cores, devido aos diferentes graus de
contrastes e diferentes densidades luminosas – tem interferência
direta por exemplo no estado de disposição humana. Fora isso –quando
utilizadas corretamente – as cores são importantes para a sinalização
de segurança. Exemplo disso é o uso da cor amarela que por ter alto
grau de reflexão por ser facilmente distinguido mesmo em locais de
baixa luminosidade e por isso mesmo é utilizado universalmente em
contraste com o preto para sinalização.
Em suma – levar em conta a questão da iluminação
e sem duvida alguma contribuir para a obtenção de um ambiente de
trabalho mais seguro e saudável.