A ocorrência de explosões quase sempre implica na
morte de pessoas. Lamentavelmente em pleno século XX ainda é comum
encontrarmos nos meios de comunicação noticias sobre explosões
ocorridas em indústrias e mesmo nos lares. No caso especifico dos
lares, bem como dos restaurantes quase sempre a causa da explosão está
associada ao mal uso do botijão de gás; Acidentes desta natureza
poderiam ser evitados com um pouco mais de esclarecimento sobre o
assunto, aliás, um assunto que deveria ser obrigatório em nossas
Semanas de Prevenção de Acidentes em outros evento destinados a
conscientização de pessoas.
Indo história adentro, devido as dificuldades de
conhecimento da época, parece-nos até de certa forma compreensível que
nos tempos idos as explosões ocorressem. No entanto, em tempos atuais
pôr detrás de uma explosão estará sempre a falta de preparo de pessoas
e quase sempre alguma forma de economia com relação aos equipamentos.
Enquanto a mentalidade de certas pessoas estiver voltada para
economias absurdas e assegurada pela certeza da impunidade, as
explosões continuarão ocorrendo, mutilando pessoas e tirando vidas.
Raros são os locais de trabalho onde não existam
substâncias químicas ou petroquímicas envolvidas no processo. Nos
locais onde o manuseio com este tipo de produto é ligado a atividade
principal, a presença de especialistas no assunto minimiza os riscos.
No entanto, não há como negar que há uma infinidade de locais de
trabalho, de empresas onde o manuseio e manipulação é feito ao acaso
com o objetivo único de se obter produtos e com ele ganhos. Mesmo nós,
profissionais de segurança do trabalho conhecemos pouco sobre o
assunto e muitas vezes estamos sentados sobre barris de pólvora
prontos a explodir.
Não falamos aqui apenas de química; Que há gases
extremamente explosivos como o butadieno, o etileno e o hidrogênio
todos sabemos. Que alguns líquidos são extremamente voláteis e se
misturam facilmente ao ar, podendo em ambientes fechados produzir
misturas de fácil combustão também temos consciência. Poucos no
entanto lembram-se dos pós de substâncias inflamáveis, que dispersos
no ar tornam-se altamente explosivos. Farinha de trigo, pó de
alumínio, pó de carvão enquadram-se neste caso.
Dados obtidos a partir de pesquisas realizadas
na Europa e nos EUA demonstram que a maior causa de incêndios e
explosões ocorridas com materiais voláteis ou explosivos é a faísca.
Ao leigo, tal afirmação pode parecer estranha, no entanto ao
profissional de segurança, tal conhecimento deve ser inerente do seu
trabalho visto a potencialidade de acidentes que uma faísca pode
causar.
A faísca pode surgir sob várias condições. Há
alguns anos tomamos conhecimento de um acidente grave ocorrido em uma
grande empresa, quando uma empregada de uma firma de limpeza após ter
limpado o piso dos escritórios com grande quantidade de solvente ligou
uma enceradeira. Na maioria das empresas onde há atuação do Serviços
de Segurança do Trabalho há todo um cuidado especial com presença de
eletricidade em situações desta natureza, principalmente com o uso de
equipamentos especiais para áreas de Pintura ou outros processos
químicos, até mesmo no cuidado com veículos adaptados para acessarem
áreas de risco. Recentemente muito falou-se da presença de telefones
celulares em postos de gasolina. Obviamente toda forma de cuidado é
mais do que válida e antes, necessária.
No entanto, distante de todas estas formas de
risco, as vezes pela falta de informação, outras pelo mero desejo de
economia, encontramos o risco do uso de ferramentas inadequadas para
este tipo de ambiente. Quando referimo-nos as pesquisa feitas na
Europa e EUA, constatou-se que a origem da faísca que mais causa
explosões diz respeito ao uso de ferramentas comuns (aço) em locais
onde há risco de explosão. Tal fato pode ser facilmente compreendido
pôr profissionais de segurança, visto que é comum encontrarmos
empresas com amplos programas de segurança voltados para diversos
aspectos, onde pequenas falhas acabam propiciando acidentes de
proporções imensas, pôr vezes a falta de minúcias e o excesso de
programas complicados e de validade e eficácia duvidosas tornam os
profissionais de nossa área cegos diante de situações que levam a
catástrofes.
Segundo especialistas, uma faísca de uma
ferramenta de aço atinge temperaturas de 1550 a 1850 C, sendo produto
de uma conversão de energia, ou seja, a energia cinética conseqüente
da força aplicada à ferramenta ou conseqüência da queda livre,
transforma-se no impacto em energia térmica nos dois materiais em
colisão. Neste ponto, alguns outros fatos devem ser levados em
consideração, o primeiro deles e que nenhuma superfície é realmente
lisa, ou seja, de fato apresenta inúmeras irregularidades em formas de
picos e saliências e estes picos acabam recebendo a totalidade do
impacto, quando forças enormes agem sobre essas áreas. Tais forças
arrancam pequenas partículas das faces da ferramenta, no caso do aço
especificamente isso ocorre de forma mais fácil devido a dureza do
material . Soltas no ar, tais partículas pré aquecidas pela energia do
impacto sofrem em contato com oxigênio uma oxidação exotérmica, que
produz ainda mais calor e tornam a partícula incandescente.
Se todo o processo que explicamos acima parece
simples, mais simples ainda é a forma que pode ter inicio tal
processo. O simples deslizar de uma chave de grifo mal ajustada sobre
o tubo tem força suficiente para dar origem a uma faísca. Impactos de
ferramentas de aço contra objetos de ferro ou aço, pisos ou paredes de
concreto, pedras, objetos de ligas de alumínio ou magnésio, seja este
impacto voluntário ou acidental pode originar faíscas. Ao mesmo tempo,
mesmo com todos os cuidados tomados, pode também ocorrer a queda
acidental de uma ferramenta.
Cuidados especiais devem ser tomados durante
impactos sobre faces enferrujadas ou pintadas com tinta a base de
alumínio ou magnésio, visto alumínio e magnésio reagem com o óxido de
ferro (ferrugem)encontrado nas faces da ferramenta de aço..
Para exemplificarmos melhor as condições de
risco existentes em tais trabalhos, falemos um pouco sobre atmosferas
explosivas/inflamáveis. Todos que tem um pouco de conhecimento nesta
área, sabem que a faíscas incandescente é apenas um dos fatores que
contribuem para provocar a ignição de materiais inflamáveis ou
explosivos. Outros fatores são a proporção da mistura de gás, vapor ou
pó (é importante ressaltar o pó)inflamável com o ar e a temperatura
mínima de combustão destes elementos.
As proporções da mistura do ar com estes
elementos para tornar a mistura explosiva são muito variáveis.
Normalmente pequenas concentrações de gás ou vapor inflamável
constituem condição favorável a ocorrência da ignição, como podemos
ver abaixo:
- - benzeno.............. 0,80 a 8,0 %
- - butano................. l,50 a 8,5 %
- - etanol.................. 2,60 a 18,9%
- - metanol............... 6,00 a 36,0%
- - propano............... 1,90 a 9,5%
Pôr outro lado, como já citamos anteriormente,
as faíscas de ferramentas de aço atingem temperaturas de 1550 a 1850
C, e como veremos abaixo a temperatura mínima de combustão de misturas
ar/gás, vapor inflamável ficam muito abaixo disso:
- - benzeno................ 450 C
- - butano................... 430 C
- - etanol.................... 375 C
- - metanol................. 400 C
- - propano................. 465 C
Fica claro que o risco de explosão existe e deve
ser considerado de forma rigorosa, portanto sendo evitado o uso de
ferramentas de aço em locais onde tal risco exista. Mesmo ambientes
monitorados, quando a monitoração é possível estão sujeitos a falhas
ou problemas nos equipamentos, e como profissionais de prevenção de
acidentes cabe-nos observar tal possibilidade, visto que tais falhas
terão com certeza conseqüências incorrigíveis..
Diante do quadro exposto, fica claro que o uso
de ferramentas de segurança nestes locais é essencial. Tais
ferramentas confeccionadas de cobre ou ligas diferentes deste metal
(exceção feita ao berílio pôr ser cancerígeno) asseguram a realização
dos trabalhos com segurança.. Basta dizer pôr exemplo, que a energia
de impacto para arrancar partículas da face da ferramenta feita de
cobre e suas ligas é bem menor do que no caso das ferramentas de aço,
pôr esta mesma razão, o impacto não aufere a partícula atingida a
energia térmica mínima que possibilite o inicio do processo de
oxidação exotérmica.
No mercado há uma grande variedade de
ferramentas de segurança. Obviamente seu custo é mais alto do que a
ferramenta comum, no entanto sua aplicação especifica e os danos que
pode evitar com certeza valem o investimento. Certamente um trabalho
bem elaborado pelo Depto. de Segurança do Trabalho e apresentado aos
responsáveis pelas empresas obterá êxito.
É importante dizer, que além do uso das
ferramentas corretas, outros cuidados adicionais devem ser tomados
quando trabalhamos em áreas que contém materiais inflamáveis ou
explosivos, ou seja:
- - não arrastar pelo chão objetos pesados de ferro ou aço.
- - molhar e manter úmidos objetos enferrujados ou pintados com
tinta a base de alumínio ou magnésio.
- - não usar roupas com fecho de metal.
- - não acondicionar ferramentas (mesmo de segurança) em caixas de
chapas de aço
Portanto, se até então, por desconhecimento ou
seja lá qual for a causa, você ainda não tinha atentado para este
risco, é importante que agora torne a tomar as providências
necessárias para minimiza-lo.