Lecionar disciplinas de Engenharia em cursos de
Arquitetura e Urbanismo é uma experiência excelente e uma oportunidade
para reciclar conceitos e fugir da monotonia mental.
O aluno, sobretudo nos primeiros semestres,
ainda não tem restrições e "vícios". Está, portanto, "livre para voar"
e o ambiente acadêmico é o local propício para esses vôos
experimentais. Para tanto, é preciso ter cuidado para não impor
limitações nessa fase. Fazer isto, aliás, é negar a possibilidade de
evolução da Humanidade! Basta olhar para trás e lembrar do que os
céticos do passado afirmavam ser impossível ou impensável. Na verdade,
a limitação era, apenas, deles, com sua vaidade, arrogância e
preguiça. O tempo se incumbiu de substituir sua memória pela dos que
desafiaram, criaram e ousaram. Logo, é fundamental dialogar, pesquisar
soluções alternativas, alertar para os diversos aspectos: tecnológicos
(sistemas e materiais), logísticos, ambientais e econômicos, que
envolvem a execução da idéia e, tanto quanto possível, modelar.
É um enorme erro, embora quase inconsciente, do
docente influenciar o aluno com preferências pessoais, pois é esse
confronto da idéia proposta da Arquitetura, com o "estado da arte" da
Engenharia, que embasa toda a inovação, criando uma salutar
cumplicidade, onde os papéis se alternam e complementam na busca da
solução ideal. É algo que deve começar na faculdade e continuar por
toda a vida profissional!
A única premissa absoluta é que não existem
limites absolutos, da mesma forma que não existe um único sistema ou
um único material, panacéia para qualquer situação. Existe, sim, a
solução ideal para uma determinada conjunção de fatores. Uma solução
não é ideal, apenas porque mais rápida ou econômica. Ela o é quando,
além de considerar todos os elementos já mencionados, assegura
durabilidade e funcionalidade do empreendimento, com baixo custo de
operacional e de manutenção. Uma solução construtiva barata -
normalmente a privilegiada por leigos - pode redundar num custo de
manutenção tal, que justificaria a adoção de outra, nem tão mais cara
assim! De forma análoga, um prazo curto - político, por exemplo - só
será uma variável positiva, quando implicar em inovação tecnicamente
sustentável. Senão, não passará de uma "bomba-relógio", que poderá
explodir nas próprias mãos de quem a escolheu, no caso de
reeleições... Assim, uma decisão leviana pode resolver um problema
político ou uma necessidade habitacional ou comercial imediata, mas
tende a reduzir significativamente a vida útil do empreendimento e a
credibilidade do autor. É hilário - para não dizer patético e
revoltante - ver a reação de políticos, que criticam, com veemência e
"autoridade", o desperdício de verbas com reformas de obras
deterioradas "herdadas", ao serem lembrados de que eles próprios as
definiram, em gestões anteriores... Infelizmente, esse "show
humorístico", que é repetido à exaustão, custa muito caro para a
platéia contribuinte!
Resumo: Concreto, aço, alumínio, plásticos
especiais, alvenaria estrutural, painéis, argamassa armada,
tensoestruturas, pré-fabricação, etc, são materiais e soluções que têm
suas vantagens e desvantagens.
A estrutura deve ser estática e segura, mas
produto de dinamismo e arrojo! Quem optar por um único "caminho" pode
atingir o ápice, conhecendo cada pedra, cada curva, cada nuance dele.
Mas, se "todos os caminhos levam à Roma", é mister conhecer cada um,
para planejar melhor a "viagem".
A insistência e celebração de numa única fórmula
- como repito para os meus alunos - só pode indicar duas coisas:
conhecimento restrito ou interesse financeiro! Isso é compreensível
para leigos e fabricantes, mas nunca para a boa técnica!
A correta avaliação técnico-econômica de todos
os fatores influentes e a criatividade de arquitetos e engenheiros é
que definirá a solução ideal! E o exemplo vem de "casa": a Faculdade;
e dos "pais": os professores!
Colaborador: Maurício Kimus
Teresópolis RJ