No artigo anterior, falávamos sobre as
infiltrações e os caminhos que a água usa para apresentá-las (trincas,
rachaduras, poros dos materiais, falhas no material como, ninhos no
concreto, brocas e fendas junto as armaduras) e os estragos que elas
causam nas edificações. Apresentamos também, uma técnica
revolucionária que impermeabiliza profundamente através de injeção o
interior da própria estrutura, realizando uma rápida colmatação das
trincas, fissuras e cavidades no interior do concreto, preenchendo e
impermeabilizando sem quebrar.
Sem duvida a infiltração é a causa ou o meio
necessário para a grande maioria das patologias em edificações. Dentre
as diversas, podemos destacar o ataque as estruturas de concreto
armado.
A água como eletrólito da corrosão.
A água é um meio condutor de eletricidade devido
á sua carga natural de íons Cálcio, Magnésio, Sódio, Bicarbonato,
Sulfato, Cloretos e Nitratos. Sem dúvida, os cloretos são os que se
relacionam mais com a corrosão, já que, como outros íons, aumentam a
condutividade elétrica da água, facilitando enormemente o fluxo da
corrente de corrosão. Também reduzem, de forma significativa, a
proteção de filmes ou películas de proteção aplicadas, pois, por aí
permeiam facilmente. Os íons nitratos, como os sulfatos, são tão
perigosos quanto os cloretos para o aço. Apresentam –se, entretanto,
em menores concentrações. Na prática, águas com alta concentração de
sulfatos atacam o concreto. O pH da água raramente foge do em torno a
4,5 – 8,5. De todos os gases dissolvidos na água, o OXIGÊNIO ocupa
posição especial porque é um tremendo estimulante á corrosão. Um
concreto bem dosado, com recobrimento e fator a/c (água/cimento)
adequados, inclusive ao ambiente, estará protegendo suas armaduras da
corrosão pelo fato de fornecer um ambiente envolvente altamente
alcalino, com um pH entre 12 e 13. No entanto, quanto mais permeável
for a camada de recobrimento mais o concreto tornar-se-á “molhável”,
permitindo fácil acesso á água e aos gases, como o oxigênio, através
de sua rede de vazios. Comumente, no entanto, ter-se-á, sempre,
trincas e/ou fissuras em sua superfície, devido a processos de cura
insuficientes ou mesmo inexistentes, fazendo com que aqueles elementos
tenham fácil e rápido acesso ás armaduras.
Além de ser um dos principais “elos” da
corrosão, a água também pode corroer o concreto. A medida em que a
água vai infiltrando, ela dissolve o Oca (dando hidróxido de cálcio),
e também a sílica, tornando o concreto cada vez mais poroso,
conseqüentemente mais fraco. O dióxido de carbono na atmosfera reagirá
com a umidade (devido a infiltração) existente no interior dos poros
da estrutura, convertendo o hidróxido de cálcio com alto pH, em
carbonato de cálcio que tem pH mais neutro. (pH diminui inicia a
corrosão). Observe que voltamos ao ponto inicial, CORROSÃO.
Corrosão – Transformação do metal em compostos de propriedades
menos desejáveis (normalmente, a oxidação para voltar a ser o mineral
do qual foi extraído. Retorno ao seu estado natural mais estável).
Uma força “invisível”.
Todo este processo contribui para o aumento
significativo da desagregação do concreto. Esta desagregação se inicia
na superfície com uma mudança de coloração seguida de um aumento na
espessura das fissuras entrecruzadas, que costumam aparecer.
Nas regiões em que o concreto não é adequado,
não recobre ou recobre deficientemente a armadura, há a formação de
óxi-hidróxidos de ferro, que passam a ocupar volumes de três a dez
vezes superiores ao volume original do aço da armadura, podendo causar
pressões de expansão superiores a 15 Mpa.
Estas tensões provocam inicialmente a fissuração
do concreto na direção paralela a armadura corrida, o que favorece
ainda mais a carbonatação e a penetração de agentes agressivos,
causando o lascamento do concreto.
O comprometimento do desempenho da estrutura e o constrangimento
psicológico.
É sabido que o concreto armado só funciona como
um sólido composto (ou seja, como é calculado) quando há perfeita
aderência entre o concreto e o aço. É comum encontrarmos condomínios
com a filosofia – Isso pode esperar mais um pouco, não vai cair etc!.
Esperando o momento “certo” para intervir, deixando muitas vezes os
condôminos sem sono. Mas devemos alertar, que em geral, os problemas
patológicos são evolutivos e tendem a se agravar com o passar do
tempo, além de acarretarem outros problemas associados ao inicial.
Pode-se afirmar que as correções serão mais
duráveis, mais efetivas, mais fáceis de executar e muito mais baratas
quanto mais cedo forem executadas. A demonstração mais expressiva
dessa afirmação é a chamada “lei de Sitter” que mostra os custos
crescendo segundo uma progressão geométrica.
Dividindo as etapas construtivas e de uso em
quatro períodos correspondentes ao projeto, à execução propriamente
dita, à manutenção preventiva efetuada antes dos primeiros três anos e
à manutenção corretiva efetuada após surgimento dos problemas, a cada
uma corresponderá um custo que segue uma progressão geométrica de
razão cinco (5).
Segundo SITTER, colaborador do CEB – Comitê
Euro-international du Béton – formulador dessa lei de custos
amplamente citada em bibliografias especificas da área, adiar uma
intervenção significa aumentar os custos diretos em progressão
geométrica de razão 5, o que torna ainda mais atual o conhecido ditado
popular “não deixes para amanhã o que se pode fazer hoje”, por cinco
vezes menos.
A boa vontade que pode sair muito caro.
Síndico precavido, econômico, há anos mantendo
uma administração enxuta. Um belo dia se depara com as lajes e vigas
de suas garagens em processo de corrosão e desplacamento. Certamente,
já sabe o que fazer. Deixa recado com o porteiro para encontrar o Sr.
Das obras, que há anos ronda o condomínio e adjacências.
“Profissional” barato, de confiança, muito bom por sinal. Entretanto,
esquece que o Sr. Das obras é um bom executor, mas não detém
conhecimentos técnicos que os diversos serviços de engenharia requer.
Continuando, lá vão, síndico e Sr. Das obras a loja de materiais de
construção mais próxima. O resultado? Compram os mais diversos
materiais. Aquele do comercial Dr, diz o Sr. Das obras. Satisfeito com
a “economia” e com a orientação sugerida pelo balconista da loja,
seguem para a execução da “maquiagem estrutural”.
- Remoção do concreto danificado pela corrosão, remoção das carepas
de corrosão, pintura inibidora polimérica ou anticorrosiva, aplicação
da argamassa de reparo. Pronto !!! agora é só pintar Dr.
Bem Sr. Síndico, devemos lhe informar que o
termo “recuperação estrutural” aplicado em uma estrutura, motivado por
processo de corrosão em suas armaduras significa a restituição da sua
integridade em todos os sentidos, seja o físico e químico, sempre
considerando-se que um processo é uma série de fenômenos sucessivos
com nexo de causa e efeito. A restituição das seções do aço e do
concreto, danificados por processos de corrosão nas armaduras,
representa nada mais nada menos do que o efeito. E a causa ? Bem, a
causa da corrosão nem todos sabem, mas, é de origem eletroquímica,
somente neutralizada por processo eletroquímico. Por que apenas tratar
os efeitos? Evidentemente, esta forma de recuperação estrutural conduz
ao aceleramento da deterioração da estrutura.
Todo problema patológico, chamado em linguagem
jurídica de vício oculto ou vício de construção, deve ser acompanhado
ou executado por um profissional devidamente habilitado.
O conhecimento da patologia da construção é
indispensável, em maior ou menor grau, para todos que trabalham com
recuperações e construção. Quando se conhecem os defeitos que uma
construção pode vir a apresentar e suas causas, é muito menos provável
que se cometam erros.
Voltando dias depois para ver o serviço do Sr.
Das obras e do Síndico econômico, nos deparamos com o seguinte quadro:
Utilização de argamassa com altíssima resistência a compressão,
invariavelmente duas a três vezes superior ao do concreto original. Em
outras palavras, sua relação tensão – deformação (módulo de
elasticidade) é totalmente diferente da base, dando como resultado uma
transmissão de carga mais intensa e sujeitando-a a um descolamento
prematuro. Bem mais impermeável que o concreto da base, possui uma
rede de vazios bem inferior. O resultado é um comportamento
dimensional (coeficiente de dilatação térmica-relaxação-fluência)
anômalo, não tão importante para espessuras correspondentes ao
recobrimento, mas extremamente prejudicial para espessuras mais
profundas, onde o volume de cargas é mais intenso. Na verdade, o que
se deseja é uma boa aderência, uma massa similar á original, uma cura
adequada (retração por secagem) e a efetiva neutralização da corrosão
através de um processo eletroquímico. Tudo a mais influencia o
comportamento dimensional da peça estrutural, devido a falta de
cuidado em tentar compatibilizar a recuperação.
A incompatibilidade nas recuperações em todos os segmentos da área
é muito comum.
Mas este será o nosso próximo assunto, não recupere antes do
próximo artigo.