As razões mais comuns da aplicação de pinturas em
fachadas são a estética, impermeabilidade e a lavabilidade.
O fato é que toda e qualquer parede, seja de
fachada ou não, fica sujeita à impiedade do tempo, mesmo aquelas
concebidas de forma inteligente para suportar esta inclemência. O
estudo da durabilidade de uma pintura requer o conhecimento das causas
mais freqüentes do estado de ruína nestes substratos.
Todas as paredes contêm sais solúveis em água,
como sulfatos de cálcio e de magnésio. A penetração de umidade de
mesmo a água da chuva, através do filme de pintura, promoverá o
contato com estes sais, dissolvendo-os e formando uma camada instável
de material pulverulento ou em forma de farinha, chamado
eflorescências, sob a película, tornando-a susceptível de
descolorações, degradação ou mesmo descolamento.
Toda e qualquer especificação deverá levar em
conta a possível presença e remoção destes sais antes da pintura, sem
que todo o revestimento estará comprometido.
Ao contrário do que se possa imaginar, é comum
surgirem eflorescências em superfícies novas. Em nenhuma hipótese,
caso se constate, dever-se-á pintá-las com tintas látex e muito menos
lavá-las com hidrojateamento, já que esta medida ativará os sais nas
superfícies das paredes, piorando o problema.
Após resolver os problemas de fácil acesso ao
interior da parede e permitir que ela segue adequadamente, aplique
primeiramente e obrigatoriamente um primer alquídico, de modo a
modificar e condicionar as superfícies, isolando a condição de
alcalina.
A seguir aplique uma boa tinta.
Outras condições atmosféricas
Dever-se-á considerar sempre que qualquer tipo
de parede, revestida ou não, ou mesmo as de concreto aparente, sofrem
tensões internas provenientes da ação do aglomerante hidráulico
utilizado. Todos sabemos que este aglomerante hidráulico promove altas
resistências à compressão mas, quase sempre, ignoramos que também
oferecem baixas resistências à tração. Os níveis de tensão interna
existentes nas paredes variam enormemente, de acordo com a qualidade e
quantidade dos materiais utilizados e, principalmente, de acordo com
os valores externos de temperatura e umidade.
É perfeitamente sabido também que estas tensões
promovem fissuras e trincas nas superfícies das paredes, encorajando a
penetração d'água e umidade, que destruirá o paramento, pela formação
de eflorescências ou mesmo ao inchamento do emboço. Nas paredes de
concreto aparente, a existência de fissuras promoverá a penetração de
oxigênio, água e agentes químicos perniciosos que desenvolverão
células eletroquímicas de corrosão nas armaduras. Um outro problema
muito comum que ataca estas superfícies, quase sempre ignorado, é a
carbonização do concreto, que também conduz ao desenvolvimento de
células de corrosão nas armaduras.
Nossas condições atmosféricas, com extremos
freqüentes, é por demais adversa, conduzindo os revestimentos à
formação de fissuras e trincas, que abrem e fecham, de acordo com a
grandeza dos diferenciais de temperatura e umidade impostos. Como já
afirmamos, as tintas 100% acrílicas formam filmes rígidos, que não
suportam estas condições. O resultado é a quebra da película com a
abertura de trincas ou fissuras, abrindo-se uma porta à penetração da
intempérie.
Tintas
A grande quantidade de tintas disponíveis no
mercado torna necessário uma investigação de suas qualidades e
propriedades. A escolha final será norteada pelo conhecimento dos
locais a serem pintados e suas necessidades. Normalmente, dever-se-á
especificar um protetor penetrante (PP) para isolar o ambiente
alcalino ao mesmo tempo em que promoverá a ancoragem necessária
estabilidade da película de acabamento. O acabamento tradicionalmente,
é feito com 2 demãos de tinta 100% acrílica de alta qualidade, próprio
para paredes externas. Como o tempo é o melhor testemunho da qualidade
e da durabilidade de uma tinta. A especificação sugerida acima,
efetivamente, não tem dado bons resultados, para superfícies
problemáticas ou muito expostas, já que formam filmes extremamente
finos e vulneráveis à ação da abertura de trincas/fissuras, permitindo
a penetração da chuva, gases, como o dióxido de carbono e sal da
maresia, sob a película, afetando-a como também o substrato.
Há alguns anos, com o desenvolvimento dos
sistemas elastoméricos, mais propriamente os acrílicos e os epóxicos,
modificou-se completamente o comportamento da relação
película/substrato, obtendo-se um filme espesso, flexível e durável,
capaz de cobrir trincas existentes ou as que surgem, impedindo,
portanto, a penetração da chuva e da umidade.
É interessante ressaltar que a surgência ou a
abertura de fissuras e trincas, posterior à aplicação da tinta
elastomérica, fará com que a película estique, protegendo-as. À medida
que fecham, motivadas pelo comportamento higrotérmico do tempo, a
película retorna à situação original sem qualquer comprometimento de
suas características. É preciso identificar bem estes sistemas,
formados por resinas acrílicas ou epóxicos de alta qualidade que duram
muitos anos, oferecendo, portanto aquela durabilidade desejada, em
função do grande investimento feito.
Há também no mercado novas resinas acrílicas,
mesmo elastoméricas, com superior resistência a eflorescências, mofo e
do envelhecimento. Talvez a mais notável característica seja a
qualidade de "respirar", isto é, permitir que a parede libere a
umidade ou vapor existente no seu interior, conforme muda a pressão do
ar, umidade e temperatura interna/externa.
Uma outra boa característica notável é a
resistência ao ambiente alcalino. Esta nova geração de tintas
acrílicas podem ser aplicadas em paredes de fachadas, inclusive de
concreto aparente, com pH igual ou superior a 9.