Reboco Térmico pelo Exterior é um termo técnico
usualmente aplicado aos sistemas compostos que se aplicam pelo
exterior dos edifícios e que cumprem duas funções essenciais: proteger
o edifício contra os elementos garantindo ainda um agradável aspecto
estético e fornecer conforto interno à habitação eliminando pontes
térmicas. Também é conhecido na Europa pela sigla ETICS (External
Thermal Insulation Composite Systems) e, especialmente nos Estados
Unidos, EIFS (External Insulation and Finishing System). Em documentos
técnicos também é usual encontrar as definições Isolamento Térmico de
Fachadas pelo Exterior e Reboco Delgado Armado sobre Poliestireno
Expandido.
História
Durante os anos 40 do Século XX, surgiu na
Suécia um sistema de isolamento térmico de fachadas pelo exterior que
era constituído por lã mineral revestida com um reboco de cimento e
cal. De acordo com alguns autores, o responsável pelo desenvolvimento
dos sistemas de reboco delgado armado sobre poliestireno expandido,
teria sido Edwin Horbach. Testou diferentes composições de reboco,
diversos produtos de reforço e materiais de isolamento. Após contactos
com um fabricante alemão de poliestireno expandido, o seu sistema de
isolamento térmico começou a ser usado no final dos anos 50.
A primeira utilização de um sistema de
revestimento e isolamento térmico pelo exterior em grande escala foi
efetuada na Alemanha nos finais da década de 1950. A aplicação visava
impedir que os grãos de açúcar em silos se pegassem sob a ação da
condensação. O primeiro uso doméstico, também naquele país, deu-se no
início da década seguinte. Desde então e especialmente após a crise do
petróleo na década de 70, estes sistemas que poupam energia e regulam
o ambiente interno dos edifícios têm sido usados desde a Sibéria à
Arábia Saudita. Hoje, na Alemanha onde o sistema mais desenvolvimento
sofreu, cerca de 60% das novas construções são equipadas com sistemas
de isolamento térmico pelo exterior.
Descrição do sistema
Basicamente, o sistema é constituído por seis componentes
distintos:
- (1) fixação ao substrato, através de parafusos e/ou de massa
adesiva;
- (2) placas de EPS - Poliestireno Expandido, cuja espessura varia
conforme a necessidade de proteção térmica;
- (3) rede em fibra que confere resistência mecânica ao
revestimento e cuja espessura varia conforme o nível pretendido de
resistência ao impacto;
- (4) revestimento base que protege o edifício e impede a
infiltração de ar;
- (5) primário e regulador de fundo e
- (6) o revestimento final, de grande elasticidade e disponível
numa grande variedade de cores e texturas. Há ainda que contar com
os acessórios, tais como esquineiros metálicos e perfis de arranque
na base do sistema.
Principais vantagens
A principal vantagem do reboco térmico pelo exterior reside na
eliminação de pontes térmicas. Ou seja, fornece um isolamento integral
do edifício o que impede o ganho ou a perda de energia através dos
elementos estruturais, tal como acontece nos pilares de betão ou nos
montantes de metal, o que pode ocorrer na construção em aço leve, ou
Light Steel Framing quando o edifício apenas possui isolamento entre
perfis e é revestido com um reboco rígido convencional.
No entanto, podem ainda ser alistadas diversas outras vantagens:
- Diminuição do risco de condensações;
- Aumento da inércia térmica interior dos edifícios, dado que a
maior parte da massa das paredes se encontra pelo interior da camada
de isolamento térmico. Este fato traduz-se na melhoria do conforto
térmico de Inverno, por aumento dos ganhos solares úteis, e também
de Verão devido à capacidade de regulação da temperatura interior;
- Economia de energia devido à redução das necessidades de
aquecimento e de arrefecimento do ambiente interior;
- Diminuição da espessura das paredes exteriores com conseqüente
aumento da área habitável;
- Redução do peso das paredes e das cargas permanentes sobre a
estrutura;
- Aumento da proteção conferida ao tosco das paredes face às
solicitações dos agentes atmosféricos (choque térmico, água líquida,
radiação solar, etc.);
- Diminuição do gradiente de temperaturas a que são sujeitas as
camadas interiores das paredes (Figura 3);
- Melhoria da impermeabilidade das paredes;
- Possibilidade de mutação do aspecto das fachadas e colocação em
obra sem perturbar os ocupantes dos edifícios, o que torna esta
técnica de isolamento particularmente adequada na reabilitação de
fachadas degradadas;
- Grande variedade de soluções de acabamento.