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A Realidade da Engenharia de Custos no Brasil

Muitos órgãos públicos no Brasil não possuem esse profissional com esse conhecimento e tudo é elaborado de forma errada e a conseqüência a curto prazo já sabemos, o próprio país não oferece opções para o desenvolvimento desse profissional, que na verdade é um engenheiro civil com conhecimento prático em obras e especializado em custos de obras civis, é preciso criar incentivo para a formação desse profissional, que irá atuar dentro de um setor importante da sociedade.

Algumas licitações realizadas no país são elaboradas de forma errada, hoje temos uma grande fonte de informação de custo de material e mão-de-obra, até ai tudo bem, o erro vêm na composição do BDI, o órgão público não sabe determinar um BDI justo para ser multiplicado com o preço unitário de referência e fixar faixas de variação do BDI em função do custo direto da obra.

Não existe BDI mínimo ou máximo e sim calculado em função da realidade de cada empresa, os encargos sociais são determinados em função da realidade da empresa e fica em torno de 115% a 125%, no Brasil cerca de 60% da mão-de-obra da construção civil é informal sem carteira assinada, por conta da alta taxa de encargos e os baixos preços das obras, em média uma pequena empresa de construção civil fica no mercado durante 2 anos.

É desenvolvido no Brasil na área de licitações um tipo de ciranda das pequenas e médias empresas, abre-se uma empresa para participar de uma licitação, se ganha à obra com um preço muito abaixo da realidade de custo, em curto prazo a empresa não tem condições de pagar os encargos, tributos, folha de pagamento, despesas diretas e indiretas e no final abandona-se a obra e fecha a empresa, logo depois o mesmo "empresário" abre outra empresa geralmente no nome de "laranjas", que hoje no Brasil já pode ser considerado uma "profissão", muita gente ganha dinheiro com essa prática, e ai o ciclo se repete.

Outro ponto importante é a degradação da profissão de Engenheiro Civil provocado diretamente por esses baixos preços praticados nas obras, antigamente o engenheiro era valorizado no mesmo patamar do médico e advogado que são as três profissões de formação da base social do país, hoje é o contrário o engenheiro é mal pago, as empresas não tem condições de pagarem o piso mínimo para o profissional estabelecido por lei, existe engenheiro recebendo até R$ 1.000,00 por mês, salário desproporcional a responsabilidade a que é submetido dentro da sociedade, então a grande maioria dos engenheiros vive hoje no Brasil no subemprego ou em outras atividades.

Os órgãos públicos devem trabalhar diretamente com a engenharia de custos para determinarem valores médios de encargos e BDI, que simulem de forma aproximada a realidade das empresas que participaram da licitação e não praticar o que está sendo feito fixando um valor máximo para o BDI, obras com valores totalmente diferentes, mas com o mesmo BDI, tecnicamente está errado, o BDI é calculado por obra, levando em consideração o lucro estimado, a realidade financeira da empresa, os custos diretos e indiretos, encargos e tributos, fatores logísticos, regionais e climáticos, em fim a determinação do verdadeiro BDI é uma função de várias variáveis.

É preciso que a fiscalização no processo licitatório seja realizada de forma mais segura e profissional, garantindo a sociedade o bom uso do dinheiro público, logo agora que o Brasil vai sediar uma Copa do Mundo e uma Olimpíada, onde os custos são elevados, então o uso correto da engenharia de custos e a ética no processo licitatório devem chegar em 1º lugar.

Cabe também as empresas prestadoras de serviço elaborar orçamentos dentro de uma boa técnica de engenharia de custos, procurando minimizar seus custos de forma responsável para se obter o menor preço, mantendo de forma solida a éticas dentro de um processo seletivo de licitação, sem cartas marcadas e conchavos, onde todos possam sair ganhando, principalmente os profissionais de engenharia e a sociedade brasileira.

Engenheiro Civil João Bosco Vieira da Silva
joaobosco@ecivilnet.com.br

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