O concreto projetado, também chamado gunita,
é um processo de aplicação de concreto utilizado sem a necessidade de
formas, bastando apenas uma superfície para o seu lançamento. O não
emprego de formas pode ser por opção, ou quando, pelas característica
da concretagem, seu emprego torna-se difícil ou impossível. Esse
sistema é muito utilizado em concretagens de túneis, paredes de
contenção, piscinas e em recuperação e reforço estrutural de lajes,
vigas, pilares e paredes de concreto armado.
O sistema consiste num processo contínuo de
projeção de concreto ou argamassa sob pressão ( ar comprimido ) que,
por meio de um mangote, é conduzido de um equipamento de mistura até
um bico projetor, e lançado com grande velocidade sobre a base. O
impacto do material sobre a base promove a sua compactação, sem a
necessidade dos tradicionais vibradores, resultando em um concreto de
alta compacidade e resistência. Existem dois método de emprego do
concreto projetado: por via seca e por via úmida. No processo via seca
é feita uma mistura a seco de cimento e agregados. No bico projetor
existe uma entrada de água que é controlada pelo operador. O concreto
seco é conduzido sob pressão até o bico onde recebe então a água e os
aditivos.
As vantagens desse processo é que o operador
pode controlar a consistência da mistura no bico projetor, durante a
aplicação e pode-se utilizar mangote com maior extensão. Por outro
lado, como ponto negativo, o controle da quantidade de água feito pelo
mangoteiro pode provocar uma grande variabilidade na mistura. No
processo via úmida o concreto é preparado da forma comum,
misturando-se na câmara própria, cimento, agregados, água e aditivos,
sendo essa mistura lançada pelo mangote até o bico projetor. Esse
processo tem a vantagem de se poder avaliar precisamente a quantidade
de água na mistura, e garantir que esta hidratou adequadamente
cimento, resultando na certeza da resistência final do concreto. Além
disso esse processo dá menores perdas com a reflexão do material e
produz menor quantidade de pó durante a aplicação.
A dosagem de cimento empregada em concreto
projetado é a mesma utilizada nos concretos tradicionais, oscilando
entre 300 e 375 kg/m3, embora haja casos em que se terá que utilizar
dosagem de até 500 kg/m3. Deve-se, entretanto, utilizar agregados de
tamanho superior a 10 mm para possibilitar a redução de cimento e com
isso a diminuição da retração hidráulica. Isso faz com que o concreto
projetado possa ser utilizado como material estrutural. A relação
água/cimento deve variar entre 0,35 e 0,50 de forma a garantir a
aderência e a resistência do material. Podem ser utilizados aditivos
nesse tipo de concreto, na proporção de 2 a 3%, de forma a diminuir a
reflexão e aumentar a resistência, quais sejam aditivos aceleradores
de pega, impermeabilizantes ou plastificantes.
A espessura das camadas não deve ultrapassar 150
mm. Em casos excepcionais em que se deva aumentar esse valor,
aplica-se em camadas com espessura de 50 mm cada. Em nenhum caso
deve-se ultrapassar a espessura total de 200 mm. Antes da aplicação do
concreto projetado a superfície que servirá de base deve ser
devidamente preparada, retirando-se eventuais concentrações de bolor,
óleos e graxas, material solto e poeira, devendo-se utilizar nessa
operação jato de areia. Após a preparação faz-se a umectação da
superfície. Depois de umedecida projeta-se uma argamassa de cimento,
areia e água, formando uma camada de pequena espessura, a fim de
formar um berço sobre o qual se possa projetar a mistura com agregado
graúdo e baixo teor de água, sem o perigo de que se produza reflexão
excessiva. Em seguida aplicam-se camadas de concreto de 50 mm cada,
com intervalo entre elas de 6 a 12 horas, de acordo com o tipo de
cimento e dos aditivos empregados. A cura é imprescindível para
se obter um concreto sem fissuras e de boa resistência, devendo-se
empregar água ou agente de cura, aplicados sobre a última camada
durante, no mínimo, 7 dias. Um aspecto de grande importância e
considerado um inconveniente no concreto projetado é a reflexão do
material, principalmente do agregado graúdo, uma vez que é lançado com
grande velocidade sobre o anteparo. A quantidade de reflexão depende
de muitos fatores, tais como a hidratação da mistura, a relação
água/cimento/agregado, a granulometria dos agregados, a velocidade de
saída do bico projetor, a vazão do material, o ângulo da superfície de
base, a espessura aplicada e a destreza do mangoteiro. A quantidade
refletida varia entre 10 e 30% em superfícies verticais e 20 a 50% em
tetos.