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Fôrmas para concreto - Planejamento, a diferença essencial

O engenheiro e professor Ubiraci Espinelli L. de Souza, da Poli-USP, desenvolveu durante cerca de três anos um estudo na Pennsylvania State University para investigar, em pequenas e médias empresas, a produtividade da mão-de-obra relacionada a diversos fatores. Nesse trabalho, os sistemas de fôrmas foram eleitos para pesquisa por ser altamente consumidores de horas/homem e ter peso importante no custo final da obra. O estudo conclui que a estrutura é responsável por algo entre 20% e 25% do custo da edificação; as fôrmas custam entre 10% e 12% do total da obra e a mão-de-obra para montá-las, metade desse percentual. No Brasil, a metodologia desenvolvida pelo professor foi aplicada em cinco obras paulistas (quatro na capital e uma no litoral), permitindo verificar que a produtividade poderia ser seis vezes maior (ou duas vezes pior, na hipótese pessimista) em função do sistema de fôrmas utilizado e, principalmente, do planejamento da obra. De forma simplificada, Souza explica que a pesquisa adotou, como referência de produtividade, números colhidos nas próprias obras (que são semelhantes entre si) nos chamados "dias bons" de produção. Mas o grande problema eram os dias "piores", quando o índice despencava para a "hipótese pessimista". Nesses dias, a pesquisa mostrou haver falta de planejamento da obra, com equipes maldimensionadas (excesso ou falta de pessoal), falta de material e negociações mal conduzidas com subempreiteiras, resultando em paralisação para discussão de valores de contratos, entre outros empecilhos. Tanto quanto o sistema de fôrmas, o planejamento da produção, diz Souza, pode ser o diferencial entre uma obra com grande produtividade e outra, mal conduzida, com índices irregulares e perda financeira no final do trabalho.

Molde de PVC

A associação de três empresas resultou numa fôrma à base de PVC expandido, totalmente compacta, com densidade de cerca de 0,7 g/cm3, a metade do 1,4 g/cm3 da madeira compensada, e com trabalhabilidade idêntica, segundo o engenheiro Antônio Acetoze, responsável pela área de Desenvolvimento e Mercado da Trikem, empresa do grupo Odebrecht. A partir da matéria-prima da Trikem, a Tigre desenvolveu as chapas de PVC para as fôrmas, com dimensão de 1 m x 2 m, 13 mm de espessura e custo cerca de três vezes e meia superior à dos painéis com compensado.

O reaproveitamento das chapas de PVC compensa a partir de 20 reutilizações, explica o engenheiro Waldemar Furlanetto, responsável pelo Programa de Qualidade da CNO (Construtora Norberto Odebrecht) nas obras do Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro. As fôrmas de PVC foram utilizadas ali 28 vezes, enquanto na barragem de Igarapava (foto), na divisa de São Paulo com Minas Gerais, foram 32 reutilizações. "Poderíamos utilizar as chapas de PVC pelo menos o dobro de vezes, mas os demais materiais não resistiram", diz Furlanetto. Segundo ele, o custo das fôrmas com PVC está em R$ 43,40/m2, enquanto a de compensado gira em torno de R$ 16,00. Mas o mercado consumidor dessa tecnol-o-gia promete crescer. Isso explicaria o interesse da espanhola Ulma em trazer o sistema com fôrmas em PVC para lajes nervuradas (chamadas de "cubetas").

Revista Técnhe, – nº 30, p.16-21

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