O planejamento urbano é o processo de criação e
desenvolvimento de programas que buscam melhorar ou revitalizar certos
aspectos (como qualidade de vida da população) dentro de uma dada área
urbana (como cidades ou vila); ou do planejamento de uma nova área
urbana em uma dada região, tendo como objetivo propiciar aos
habitantes a melhor qualidade de vida possível. O planejamento urbano,
segundo um ponto de vista contemporâneo (e, em certa medida,
pós-moderno), tanto enquanto disciplina acadêmica quanto como método
de atuação no ambiente urbano, lida basicamente com os processos de
produção, estruturação e apropriação do espaço urbano. A interpretação
destes processos, assim como o grau de alteração de seu encadeamento,
varia de acordo com a posição a ser tomada no processo de planejamento
e principalmente com o poder de atuação do órgão planejador.
Os planejadores urbanos, os profissionais que
lidam com este processo, aconselham municípios, sugerindo possíveis
medidas que podem ser tomadas com o objetivo de melhorar uma dada
comunidade urbana, ou trabalham para o governo ou empresas privadas
que estão interessadas no planejamento e construção de uma nova cidade
ou comunidade, fora de uma área urbana já existente.
Os planejadores urbanos trabalham
tradicionalmente junto das autoridades locais, geralmente, para a
municipalidade da cidade ou vila, embora nas últimas décadas tenham se
destacado os profissionais que trabalham para organizações, empresas
ou grupos comunitários que propõem planos para o governo. O dia-a-dia
de um planejador urbano inclui principalmente melhorias na qualidade
de vida dentro de uma certa comunidade. Uma comunidade é vista por um
planejador urbano como um sistema, em que todas as suas partes
dependem umas das outras.
Uma idéia muito comum, ainda que com certo nível
de imprecisão teórica, é a de que os planejadores urbanos trabalhem
principalmente com o aspecto físico de uma cidade, no sentido de
sugerir propostas que têm como objetivo embelezá-la e fazer com que a
vida urbana seja mais confortável, proveitosa e lucrosa possível.
Porém, o trabalho de planejamento envolve especialmente o contato com
o processo de produção, estruturação e apropriação do espaço urbano, e
não apenas sua configuração a posteriori, como quer a afirmação
anterior. Sob este ponto de vista, os planejadores são atores de um
perpétuo conflito de natureza eminentemente política, e por este
motivo, seu trabalho não deve ser considerado como neutro. Também
precisam prever o futuro e os possíveis impactos, positivos e
negativos, causados por um plano de desenvolvimento urbano, os quais
muitas vezes vai favorecem ou contrariam os interesses econômicos dos
grupos sociais para os quais trabalham.
Planejamento urbano versus Urbanismo
Uma definição precisa do que seja o Planejamento
urbano necessariamente passa pelo trabalho de localizá-lo, enquanto
disciplina, em relação ao urbanismo. Tanto o planejamento urbano
quanto o urbanismo são entendidos como o estudo do fenômeno urbano em
sua dimensão espacial, mas diferem notadamente no tocante às formas de
atuação no espaço urbano. Desta maneira, o Urbanismo trabalha
(historicamente) com o desenho urbano e o projeto das cidades, em
termos genéricos, sem necessariamente considerar a cidade como agente
dentro de um processo social conflitivo, enquanto que o planejamento
urbano, antes de agir diretamente no ordenamento físico das cidades,
trabalha com os processos que a constroem (ainda que indiretamente,
sempre atue no desenho das cidades).
O planejamento urbano é atividade, por
excelência, multidisciplinar, enquanto que o Urbanismo, ao longo da
história, se caracterizou como disciplina autônoma (especialmente do
ponto de vista profissional). Porém, os limites entre o Planejamento e
o Urbanismo são pouco claros na prática: intervenções urbanísticas na
cidade são comumente tratadas como "obras de planejamento", enquanto
que atividades típicas do planejamento (como a criação de um plano
diretor), são eventualmente tratadas como "obras de urbanismo".
A questão da definição clara e distinta das duas
disciplinas complica-se de fato quando se procura a sua história: é um
consenso, no meio acadêmico, que o Urbanismo seja tratado apenas como
disciplina autônoma a partir do Século XIX e que o Planejamento Urbano
surja como matéria de interesse acadêmico apenas no século XX, mas
também é fato que as cidades são planejadas e desenhadas desde o
início da civilização. Desta maneira, a história das cidades (ou da
urbanização, para ser mais preciso), ocorre paralelamente com a
história do homem em sociedade, embora o estudo da intervenção do
homem na cidade seja mais recente. A partir do momento em que se
considera que o planejamento urbano lida basicamente com o conjunto de
normas que regem o uso do espaço urbano (assim como sua produção e
apropriação), sua história seria bastante diversa daquela referente ao
desenho das cidades.
História
Pistas de que a civilização humana têm
trabalhado com planejamento urbano em escala limitada remonta a 3500
a.C. Muitos historiadores consideram como pai do planejamento urbano o
grego Hippodamus e suas teorias e idéias sobre o uso ideal da terra e
da localização de ruas e edifícios nas cidades de Mileto e Pireu.
Os muçulmanos são muitas vezes creditados com a
criação do zoneamento, criando zonas específicas para estabelecimentos
comerciais, residências, culto religioso, etc.
Antiguidade
A Civilização do Vale do Indo é reconhecida como
a primeira civilização a desenvolver o senso de planejamento urbano,
por volta de 2600 a.C. onde algumas pequenas vilas cresceram em
grandes cidades contendo milhares de pessoas, que não trabalhavam
primariamente na agricultura, criando uma cultura unificada. O
repentino aparecimento dessas grandes cidades, bem como o crescimento
e a formação organizada destas cidades, parece ser o resultado de um
esforço planejado e deliberado.
Habitantes de cidades da antiguidade criaram
certas áreas destinadas para encontros, recreação, comércio e culto
religioso. Muitas destas cidades possuíam muralhas em volta, cujo
objetivo era impedir (ou, ao menos, de dificultar) o acesso de
possíveis inimigos à cidade. A construção de prédios públicos e
monumentos são outros exemplos de planejamento urbano nos tempos
antigos, das quais, as cidades mais famosas são Roma e Atenas.
Idade Média
Muitas cidades e feudos medievais eram
protegidas por muros. Com o crescimento populacional, muitas destas
cidades tornaram-se super populacionadas. Para solucionar este
problema, algumas cidades derrubavam seus muros (e muitas vezes
construindo outra, protegendo uma área maior), e outras simplesmente
deixavam seus muros antigos de pé, construindo novas cidades e vilas
ao redor da antiga cidade.
A religião fazia parte integral da vida
política, cultural e social da Europa da Idade Média, e isto
reflete-se nas cidades da época, onde na maioria das vezes, a
principal igreja estava localizada no centro da cidade, e era a maior,
a mais alta e a mais cara estrutura.
Renascimento
Durante o Renascimento, um período de grande
desenvolvimento artístico, planejadores urbanos desenhavam partes de
uma cidade em grande escala, criando grandes áreas para solucionar a
super lotação de tempos antigos. Exemplos são a Catedral de São Pedro,
em Veneza, e a Basílica de São Pedro, no Vaticano. Já um exemplo de
uma área que foi inicialmente planejada, antes de ter sido construída,
é o Palácio de Versailles, na França, uma mini-cidade por si mesma.
Alguns artistas conhecidos, como Leonardo da
Vinci e Michelangelo, por exemplo, desenharam e ajudaram a embelezar
algumas cidades italianas, no século XV e XVI, enquanto Georges Eugene
Haussmann planejou grandes avenidas e praças, em Paris, no século
XVIII, que ajudaram a cidade francesa em se tornar reconhecida
mundialmente como uma das cidades mais belas do mundo.
Algumas cidades dos Estados Unidos, na América
colonial foram planejadas de antemão, antes de terem sido construídas.
Exemplos incluem Charleston, Filadélfia e Savannah. O exemplo mais
famoso, porém, é o da atual cidade de Washington, DC, a atual capital
do país. George Washington contratou Pierre Charles L'Enfant, um
arquiteto francês, para planejar a cidade.
Revolução Industrial
Com a Revolução Industrial, nos séculos XVIII e
XIX, e a criação de fábricas em cidades, a população de muitas cidades
europeias e americanas começaram a aumentar rapidamente, recebendo
milhares de pessoas vindas dos campos, abandonando trabalhos nas áreas
rurais, para trabalhar na indústria. Isto fez com que cidades da época
ficassem superlotadas, sujas, barulhentas. Muitas pessoas viviam em
bairros que possuíam péssimas condições sanitárias, na qual famílias
inteiras viviam espremidas em casas de um ou dois cômodos, perto das
fábricas.
Reformistas sociais começaram a pedir ao governo
que melhorassem tais condições precária de vida, sugerindo planos como
novo zoneamento, com casas, jardins e áreas verdes. Também sugeriram a
separação de zonas industriais e residenciais, cada uma em zonas
separadas da cidade. Várias municipalidades e governos tomaram medidas
para melhorar a qualidade de vida nas cidades, mas à medida que estas
continuavam a crescer rapidamente, as poucas medidas tomadas foram
insuficientes para surtir algum efeito.
Planejadores urbanos tentaram mostrar a imagem
de uma cidade ideal, na Feira Mundial de Chicago, em 1893. Largas e
grandes avenidas, com grandes estruturas públicas, eram dois dos
muitos aspectos numa cidade ideal. A exposição marcou o início do
movimento City Beautiful (Bela Cidade, em inglês), nos Estados Unidos.
Século XX - Tempos atuais
Até o final do século XIX, o planejamento urbano
na maioria dos países industrializados era de responsabilidade de
arquitetos, que eram contratados por empresas particulares ou,
raramente, pelo governo. Mas o crescimento dos problemas urbanos
durante o final do século 19 forçou governos de muitos países, em
especial, o dos Estados Unidos, a participar mais ativamente no
processo de planejamento urbano.
O Movimento moderno na Arquitetura e no
Urbanismo pregava que a atividade de planejar as cidades era matéria
de ordem eminentemente técnica, e que portanto, possuía a neutralidade
política inerente ao trabalho científico. Tal pensamento se formalizou
especialmente com o trabalho dos CIAM (Congressos internacionais da
Arquitetura moderna) e, especialmente, com a Carta de Atenas. Reflexos
deste pensamento urbanístico podem ser observados em projetos de novas
áreas de expansão urbana totalmente desvinculados das necessidades
efetivas das comunidades que aí morariam. O plano-piloto da cidade de
Brasília é considerado o exemplo mais perfeito deste tipo de urbanismo
modernista.
Entre 1900 e 1930, muitas cidades nos Estados
Unidos introduziram comissões de planejamento urbano e leis de
zoneamento. Um dos mais famosos planos de revitalização urbana desse
período foi o Plano Burhan, que revitalizou uma grande parte da cidade
de Chicago.
A explosão populacional da década de 1950 e da
década de 1960 criou problemas como congestionamentos, poluição,
aparecimento ou crescimento de favelas, e falta de moradia. Para
vencer os novos desafios destas cidades em crescimento, agências de
planejamento urbano precisaram expandir seus programas, incluindo
novas residências, áreas recreacionais e melhores distritos comerciais
e industriais.
Atualmente, o planejamento urbano de uma cidade
é geralmente feito por acordos entre agências governamentais e
empresas privadas, especialmente nos países desenvolvidos. Nos países
subdesenvolvidos, porém, o Planejamento Urbano passa por um momento de
redefição. Se, por um lado, tais países atravessaram longos períodos
de planejamento centralizador e autoritário (não raro resultando em
periferias urbanas espraiadas, estruturadas por projetos residenciais
movidos mais pelo caráter quantitativo que pelo qualitativo), nas
últimas duas décadas, o Planejamento Urbano no Brasil, por exemplo,
tem procurado colocar-se como possível mediador no conflito social
pelo solo urbano. O foco do planejamento, pelo menos academicamente,
deslocou-se do regulamento do uso e ocupação do solo para o tratamento
dos processos especulativos de produção do espaço urbano, colocando-se
contra ou a favor deles. Surge daí a idéia de planejamento urbano
participativo (trabalhada por exemplo por teóricos como Ermínia
Maricato, ex-Secretária Executiva do Ministério das Cidades) no qual
as decisões são tomadas através de um processo democrático no qual o
profissional não assume mais o papel de "autor do plano", mas de
"condutor do processo". Contrariamente a esta tendência, teóricos
internacionais, como Manuel Castells, propõem o que se convencionou
chamar de Planejamento urbano estratégico, que procura tratar as
cidades sob a lógica da guerra fiscal e de sua localização na suposta
nova rede de cidades globais.
Um plano diretor, plano compreensivo ou plano
mestre, é um plano criado por um grupo de planejadores urbanos que tem
impacto válido para toda a comunidade da cidade, por um certo período
de tempo.
Um plano diretor mostra a cidade como ela é
atualmente e como ela deveria ser no futuro. Um plano diretor mostra
como o terreno da cidade deve ser utilizado e se a infra-estrutura
pública de uma cidade como educação (escolas e bibliotecas), vias
públicas (ruas e vias expressas), policiamento e de cobertura contra
incêndio, bem como saneamento de água e esgoto, e transporte público,
deve ser expandida, melhorada ou criada.
Limites impostos pelo plano diretor incluem a
altura máxima de estruturas em algumas ou em todas as regiões da
cidade, por exemplo.
Desenvolvimento do plano diretor
Durante o processo de elaboração do plano
diretor, os planejadores urbanos, representados por profissionais de
várias áreas, como engenheiros, arquitetos e urbanistas, economistas,
sociólogos, geógrafos, juristas, estatísticos, biólogos, analisam a
realidade existente do município e, com a participação da sociedade
civil, representada por comerciantes, agricultores, associações de
moradores, ongs e movimentos sociais, propõe novos rumos de
desenvolvimento do município, buscando-se alcançar a realidade
desejada por toda a população.
Desde 2001, a legislação brasileira exige que a
elaboração e a revisão de um plano diretor seja realizada de forma
participativa e democrática, por meio de debates públicos, audiências,
consultas e conferências. Se não houver participação da sociedade
civil, o plano diretor pode ser invalidado.
Atualmente, muitos especialistas em planejamento
urbano usam computadores no trabalho. Computadores processam a
informação que os planejadores analisam ao formar o plano diretor.
Computadores são usados também para a criação de mapas.
Geralmente, em pequenas cidades, um plano
diretor é desenvolvido por uma companhia privada, que então manda o
plano para o governo ou município, para aprovação. Já em cidades
maiores, é uma agência pública que desenvolve o plano diretor. Grandes
cidades costumam possuir um departamento próprio para o planejamento
urbano, que é responsável por desenvolver, alterar e implementar o
plano diretor.
Propostas do plano diretor
O alvo de um plano diretor é fazer a vida urbana
mais confortável, aproveitável, segura, além de fornecer um terreno
propício ao crescimento econômico da cidade. Um plano diretor inclui
quase sempre instalações de transporte público, bem como áreas de
recreação, escolas e facilidades comerciais.
Um plano diretor recomenda como o terreno da
cidade deve ser usado. O plano geralmente divide a comunidade em
secções separadas para casas e edifícios de apartamentos, comércio,
indústria e áreas para instalações públicas. A altura-limite das
estruturas também é delimitada, sendo que geralmente o centro
financeiro possui os maiores limites. Pode-se permitir apenas a
construção de pequenas casas em um dado bairro, enquanto em que outro,
permite-se a construção de prédios de apartamentos e de casas
geminadas. Planos diretores de certas cidades, porém, não impõem
restrições quanto ao limite de altura de qualquer estrutura e/ou
zoneamento, em qualquer área da cidade, como em Houston, Texas,
Estados Unidos.
Um plano diretor também pode pedir a demolição
de prédios em uma dada região e regular os tipos de serviços a serem
oferecidos dentro de uma dada região, permitindo, por exemplo, a
presença de pequenas indústrias e estabelecimentos comerciais, mas
proibindo grandes indústrias. Alguns planos podem permitir o
desenvolvimento de áreas de uso mixtos, com uma combinação de
indústrias, comércio e residências.
Além disso, um plano diretor também sugere meios
de melhorar a aparência e a beleza da comunidade, com a construção de
parques, grandes avenidas e centros cívicos. Outros serviços públicos
como a criação ou a expansão do sistema de saneamento básico e vias
públicas (tais como ruas e vias expressas) também podem ser incluídos.
Planejadores urbanos, desde o século XIX,
preocupam-se muito com o a aparência de uma cidade, embora atualmente
preocupam-se mais com problemas econômicos e sociais. Planos diretores
podem incluir também propostas para um melhor crescimento econômico,
educação e assistência social para os necessitados.
Da teoria para a prática
Planejadores urbanos precisam de duas coisas
para fazer seus projetos saírem do papel, e sejam realizados em
prática: suporte e dinheiro. Ambos vêm das autoridades que suportam os
planejadores urbanos, sendo o dinheiro, indiretamente, pelos impostos,
vindos da população da cidade a ser afetada por tais planos.
Suporte público
Grande oposição pública pode fazer com que as
autoridades municipais ou governamentais recusem-se a suportar um dado
plano diretor. Oposição pública acontece porque ou grande parte da
população acha que tal plano irá beneficiar apenas uma pequena parcela
da população da cidade ou que sairá caro demais para cidade, seja em
termos econômicos ou culturais (ex: demolimento de patrimônios
históricos, etc).
Por outro lado, se um plano diretor inclui
propostas para a solução ou minimização de certos problemas da cidade,
tal plano geralmente tende a receber maior apoio da população. Isto
inclui a construção de ruas, auto-estradas e/ou metrô em cidades com
grandes problemas de trânsito, casas que podem ser alugadas ou
compradas a baixos preços para uma grande população de classe baixa,
abrigos para uma grande população de sem-tetos e de parques e outras
facilidades recreacionais.
Suporte econômico
Planejadores urbanos precisam ter influência
sobre a comunidade, e o desenvolvimento físico desta. Isto é possível
através da municipalidade e o poder desta de fazer com que as leis de
zoneamento e regras sobre a construção de casas e prédios sejam
efetivamente cumpridas pela população em geral. Planejadores urbanos
também dependem das autoridades municipais para a expropriação de
propriedades e terrenos, quando necessária para a realização do
projeto.
Leis de zoneamento urbano designam os tipos de
estruturas que são permitidas em uma dada área da comunidade. Quando
planejadores urbanos pretendem fazer com que uma dada zona seja apenas
residencial, então, apenas casas e, talvez, prédios de apartamentos,
serão permitidas. As leis de zoneamento urbano também limitam o
tamanho dos terrenos a serem vendidos, a localização de placas e
sinais.
Já as regras sobre a construção de casas e
prédios regulam a qualidade e a segurança da construção destas, a
altura e o tamanho das estruturas, o número máximo de ocupantes por
estrutura, bem como a qualidade dos canos de água e esgoto, e do
sistema elétrico.
Novas cidades
O termo planejamento urbano também vale para a
criação e desenvolvimento de novas cidades ou comunidades, que se
diferenciam de subúrbios por uma razão: enquanto subúrbios são
desenhados geralmente apenas como comunidades residenciais de baixa
densidade, para pessoas que trabalham em cidades próximas, o
planejamento e a construção de novas cidades têm o objetivo de tornar
tais cidades totalmente independentes e auto sustentáveis, com, por
exemplo, a designação de grandes áreas comerciais ou industriais, que,
em volta, irão atrair habitantes à cidade.
Planejadores urbanos encarregados da construção
de novas cidades fazem o possível para garantir que a nova comunidade
possua suficientes oportunidades de trabalho para todos os habitantes,
tornando possível a construção destas cidades em áreas relativamente
isoladas. Porém, novas cidades também são projetos extremamente caros,
sendo poucas as cidades de grande porte que foram criadas
planejadamente. Exemplos incluem Brasília, a capital do Brasil,
Canberra, a capital da Austrália e Washington, DC, a capital dos
Estados Unidos.
Outra opção, mais barata, é a construção de
vilas em torno de uma cidade. Vilas provém seus habitantes com
oportunidades de trabalhos, que, porém, são insuficientes para atender
boa parte da força de trabalho. Muitos trabalhadores têm de trabalhar
em outras cidades próximas, e, por esta razão, vilas precisam estar
localizadas perto de uma cidade. O Reino Unido, a Suécia a Noruega e a
Dinamarca são os países que mais constroem novas vilas de tempos em
tempos. Os governos destes países ajudam com contribuições econômicas
e a compra da terra necessária para as novas municipalidades.
Planejamento
Estética
Em países desenvolvidos, muitas pessoas são
contra o uso excessivo de artigos humanos como propagandas, sinais,
placas, que geram poluição visual. Outros assuntos relacionados são
tensões entre o crescimento da periferia, a densidade populacional em
crescimento as cidades e o planejamento e construção de novas cidades.
Planejadores urbanos de sucesso levam o caráter,
de "casa" e "senso de lugar", identidade local, respeito por heranças
naturais, artísticas e históricas, e o entendimento dos (possíveis)
principais problemas como tráfego, transporte, utilidades e desastres
naturais.
Embora as cidades que sejam planejadas desde o
começo - como no caso de Brasília - os planejadores são importantes em
planejar o crescimento destas cidades. Examinadas historicamente,
várias cidades, atualmente consideradas como uma das mais belas do
mundo, são o resultado de restritos planos diretores.
Algumas cidades são planejadas desde o começo, e
embora nem sempre os resultados saiam como o esperado, evidências do
plano diretor inicial muitas vezes permanecem. Algumas das cidades
planejadas de maior sucesso consistem de células que incluem parques e
espaços abertos, repetindo por várias vezes esta célula. Geralmente,
as células são separadas por ruas. Muitas vezes cada célula possui
monumentos e características únicas, tornando as células diversas
entre si. Estas diferenças ajudam a instituir um "senso de lugar" na
cidade, enquanto as similaridades das células fazem cada lugar da
cidade familiar aos habitantes da cidade.
Segurança
Muitas cidades são construídas em lugares
vulneráveis a enchentes, tempestades, guerra e desastres naturais como
terremotos, furacões e vulcões ativos. Os planejadores urbanos, ao
planejar uma cidade, também devem levar em conta estes fatores. Se os
perigos estão localizados e podem ser prevenidos, como enchentes, por
exemplo, uma solução pode ser a construção de parques e espaços
abertos. Outra solução, mais prática, é simplesmente construir a
cidade em terrenos de alta altitude e os parques, espaços verdes e
fazendas em terrenos de menor altitude.
Quando a cidade é vulnerável a desastres
naturais, enchentes, guerra ou outras emergências, a construção de um
sistema eficiente de transporte, adaptado para evacuações, quando
necessário, é considerada, bem como a construção de centros
operacionais de emergência, como abrigos, por exemplo. Podem ser
muitas vezes de baixo custo, e muitos consideram esta medida como
cuidados razoáveis para qualquer espaço urbano. Outras cidades também
planejam e constroem muros e canais como medida de proteção.
Alguns métodos de planejamento urbano, no
entanto, podem servir como métodos de segregação, ajudando uma elite a
controlar cidadãos ordinários. Um exemplo foi Roma na década de 1930,
quando o fascismo da década de 1930 criou vários bairros nos limites
da cidade, onde criminosos e a classe baixa foram despejadas, longe do
centro da cidade. A França utiliza atualmente métodos parecidos para
controlar a população árabe de classe baixa.
Transportes
Existe uma clara conexão entre a densidade de
uma dada região urbana e a quantidade de transporte dentro desta
região. Transporte de boa qualidade - que inclui desde uma malha de
transporte público bem planejada até um sistema de vias públicas
capazes de atender tráfego com eficiência - é muitas vezes procedida
por desenvolvimento. Porém, este sistema eficiente de transportes pode
ser arruinada quando esta região desenvolve-se demais, tornando-se
mais densa que um dado limite.
Um planejamento urbano eficiente tenta colocar
zonas comerciais e residenciais de alta densidade próximos a meios de
transporte em massa. Por exemplo, algumas cidades permitem prédios
comerciais e residenciais somente quando elas estão a um quarteirão de
distância de estações de trens, metrô ou vias públicas tais como ruas
e avenidas de duas faixas por sentido ou mais, enquanto posicionam
casas de família e parques mais longe destes pontos de transporte.
A densidade de uma área é geralmente medida como
a área total das estruturas (incluindo todos os andares) dividida pela
área do terreno que estas propriedades ocupam. Quando o total é menor
que 1,5, a área é de baixa densidade, enquanto totais maiores do que 5
são áreas de alta densidade. A maioria dos centros de cidade, por
exemplo, possuem totais significantemente maiores do que 5. Locais
ocupados por arranha-céus podem atingir um total de 30 ou mais.
Municípios tentam muitas encorajar densidades menores, porque isto
reduz custos de infra-estrutura, embora alguns especialistas observam
que baixas densidades podem não acomodar população suficiente para tal
infra-estrutura (educação, saúde, etc).
Carros são eficientes como meio de transporte em
regiões de densidade de até 1,5. Densidades entre 1,5 a 5 são mais
eficientemente servidas por ônibus e densidades maiores que 5 são mais
eficientemente servidas por trens e metrô.
Críticas ao planejamento urbano
A maior parte da população de uma comunidade
tende a apoiar os objetivos do planejadores urbanos, mas uma minoria
criticam os métodos usados para o alcance desses objetivos:
Objetivos errados
Alguns críticos argumentam que planejadores
urbanos se importam primariamente com a estética e com o comércio da
cidade, ao invés de se concentrar em propostas para a solução de
problemas sociais como trânsito ou poluição, ou que certos planos
tendem a aumentar problemas sociais já existentes, como, por exemplo,
a autorização de construção de parques e prédios de apartamentos de
luxo, que muitas vezes substituem residências de baixo custo.
Mesmos os críticos dividem-se: uns acreditam que
certos planejadores urbanos põem ênfase demais no futuro das cidades,
e não o suficiente para a solução de problemas sociais já existentes,
e outros criticam planejadores urbanos que buscam solucionar tais
problemas a curto prazo.
Altos custos
Críticos argumentam que o custo de um plano
diretor sai caro para o município e seus habitantes, uma vez que o
suporte econômico fornecido ao plano quase sempre provém dos impostos
pagos por tais habitantes. Tais críticos dizem que planejadores
urbanos tendem a fazer tudo de uma vez só.
Tempo necessário
Tempo necessário para a finalização de um
programa de planejamento urbano é uma das críticas mais comuns. Alguns
críticos e líderes políticos argumentam que os resultados de um dado
plano diretor chegam tarde demais para solucionar corretamente os
problemas que o plano estava destinado a corrigir.
Controle da municipalidade
Muitas pessoas são contra o poder da
municipalidade (ou outro órgão público) de poder forçar indivíduos a
vender suas propriedades e de regular o uso de propriedades e
terrenos. Tais pessoas vêm isso como uma violação dos direitos de
propriedade. Outras pessoas também criticam planejadores urbanos e
suas decisões, uma vez que eles, os planejadores urbanos, não são
pessoas que foram eleitas pela população.
Reduzindo críticas
Planejadores urbanos claramente precisam de
suporte público. Para a minimização das críticas, o tempo entre
diferentes projetos é aumentado, diminuindo gastos. Planejadores
urbanos esperam que mais pessoas fiquem convencidas do valor das ações
implementadas pelo planejamento urbano, à medida em que mais projetos
alcancem sucesso.