O livro "Os pecados do Marketing na Engenharia e na Arquitetura" fala
de “pecados”. Portanto, "erros".
Se nos atrevemos a falar de "certo" e "errado",
precisamos estabelecer uma REFERÊNCIA de coisas certas. Por isso
escrevemos esses "10 Mandamentos de Marketing para Engenhenheiros e
Arquitetos”, que servirão de base para "enquadrar" cada um dos pecados
mencionados ao longo do livro.
Vamos a eles:
1. Definir claramente uma LINHA DE PRODUTOS. (Política de Produto)
Engenheiros e Arquitetos, pela formação e pelo
registro profissional, estão habilitados para atuar em serviços muito
diferentes. Um engenheiro civil, por exemplo, pode fazer desde
projetos de construção civil para residências de pequeno porte até
consultoria técnica especializada para obras pesadas como pontes e
viadutos...
Muita gente, por falta de orientação, permanece
por muitos anos como um “faz tudo” (faz tudo mais ou menos). Nunca
consegue fixar uma imagem clara no mercado e, portanto, reduz as
chances de sucesso profissional.
2. Produzir serviços de qualidade compatível com o nível de
necessidades, exigências, desejos e disponibilidades dos clientes.
(Política de Produto)
“A regra é Clara”: sem um produto de boa
qualidade não existe marketing de bons resultados.
Fazer um trabalho “mais ou menos” e achar que
ninguém vai notar é muita ingenuidade. Os nossos serviços devem ser
bem feitos e completos (com começo, meio e fim). Precisamos nos
apresentar ao mercado como uma opção de SOLUÇÃO COMPLETA e não apenas
como PARTE DO PROBLEMA.
Também é importante observar que a qualidade do
produto não é uma coisa sem limite. Esse limite está determinado,
entre outras coisas, pela disposição que o cliente tem para pagar pelo
que está demandando.
3. Atualizar-se permanentemente (Política de Produto)
Você conhece um bom atleta que não invista muito
do seu tempo em treinamento. Para arquitetos e engenheiros treinamento
significa atualizar-se permanentemente. Participar de cursos,
palestras, seminários, congressos, feiras, convenções. Ler livros
técnicos e gerenciais. Assinar as revistas técnicas da sua área de
atuação. Fazer pesquisas de Mercado. E, se tiver talento e disposição,
fazer experiências. Desenvolver teses profissionais. Ousar, criar e
fazer registro de resultados.
Essas práticas de “treinamento” é que vão deixar
o profissional de Engenharia ou de Arquitetura em “boa forma”. E
sempre mais competitivo.
4. Definir preços compatíveis com o mercado a que o produto se
destina; Ter uma política de negociação de preços. (Política de Preço)
Preço é um problema que precisa ser enfrentado
com profissionalismo. As dificuldades naturais da precificação de
serviços tornam essa tarefa ainda mais complicada. É preciso ajustar o
preço do produto (e, muitas vezes, isso implica fazer ajustes no
próprio produto) ao tipo de mercado que se quer conquistar.
Também é absolutamente fundamental ter uma
política de negociação de preços, definindo claramente a flexibilidade
possível para descontos, isenções, formas de pagamento e coisas assim.
5. Ser Disponível. Acessível (Política de Ponto Comercial -
Disponibilidade)
Engenharia e Arquitetura são duas profissões
essencialmente MÓVEIS. Isto significa que engenheiros e arquitetos não
exercem seu ofício em um ponto fixo (como normalmente acontece com um
dentista, um médico, um mecânico de automóveis ou um cabeleireiro).
Isso dá uma dimensão diferenciada à noção de
PONTO COMERCIAL quando aplicada ao nosso caso. Vai além do endereço
físico do nosso escritório. Inclui, certamente, todos os CANAIS DE
COMUNICAÇÃO que nos permitem manter os contatos com os clientes.
Ser disponível e acessível significa ter uma
política inteligente de utilização para cada um desses recursos como o
telefone, o fax, o celular, a internet, a secretária eletrônica, a
caixa postal de correio...
Entender cada um desses equipamentos como uma
PORTA aberta para o mercado nos dá a visão correta dos objetivos
mercadológicos (marketing) de cada um deles.
6. Escolher com critérios profissionais os auxiliares; Dar
treinamento adequado às pessoas que fazem parte da empresa (Política
de Pessoal)
Na Engenharia e na Arquitetura, pessoas são
elementos vitais. Prestar serviços implica relacionamentos pessoais e
o cliente avalia um engenheiro ou um arquiteto de forma muito
subjetiva.
Muitas vezes, se ele não é bem atendido pela
secretária ou por um assistente, ele transfere esse DEMÉRITO
diretamente para o profissional. Então é preciso observar duas coisas:
1) Não se pode construir uma organização de serviços vencedora sem
treinamento constante das pessoas; 2) Não adianta investir em
treinamento se as pessoas que fazem parte da organização foram mal
selecionadas e não apresentam qualidades mínimas necessárias.
7. Sistematizar os processos. Organizar a empresa. Valorizar a
Disciplina. (Política de Procedimentos)
Engana-se quem imagina a Arquitetura ou a
Engenharia como atividades em que a criatividade é tudo.
Criatividade é apenas um dos recursos
necessários (fundamentais) para o exercício dessas profissões. Grandes
artistas e grandes cientistas são muito criativos. Mas são também, via
de regra, muito organizados e disciplinados.
Um escritório de Engenharia ou de Arquitetura
precisa ser EXATO. As coisas precisam estar sempre no lugar. As
informações precisam ser acessíveis quando necessárias. As tarefas
precisam ser cumpridas no tempo e os resultados não podem ser
aleatórios.
Portanto, investimentos em Organização e
Disciplina são fundamentais para o marketing de uma empresa de
Engenharia ou de Arquitetura.
8. Fugir das Parcerias Inúteis. Fazer Parcerias Produtivas.
(Política de Parcerias)
A frase “diga-me com quem andas e eu te direi
quem és” define bem a importância da política de parcerias para o
marketing de uma empresa. Mas não diz tudo.
Por trás de uma boa política de parcerias, muito
mais do que construir uma boa imagem no mercado está também a
possibilidade de unir forças, compensar deficiências, reduzir custos,
expandir horizontes de atuação comercial... Benefícios e vantagens
nada desprezíveis.
9. Divulgar a sua empresa e seu produto. Ter uma política eficaz de
vendas (Política de Promoção)
Serviços de Engenharia e de Arquitetura são
produtos de consumo restrito (não são produtos de consumo de massa).
Isto significa que as práticas e os recursos de promoção (publicidade
e propaganda) válidos para a maioria dos produtos podem não ser
eficientes quando aplicados ao nosso ramo de negócios.
Determinar uma política inteligente de promoção
da empresa ou do produto passa, necessariamente, por uma análise muito
criteriosa da relação custo/benefícios. O uso da mídia aberta (jornal,
rádio, TV, Revistas...) pode não ser a opção mais interessante.
Mídias alternativas precisam ser exploradas,
como a mala direta, os jornais corporativos, as revistas
especializadas, a participação em eventos, feiras e congressos, a
atuação em Entidades de Classe e outros recursos.
O processo de VENDA dos serviços também precisa
ser desenvolvido e aprimorado continuamente. Serviços de Engenharia e
de Arquitetura são produtos importantíssimos e de extrema utilidade,
agregando valor ao produto final e produzindo lucros para quem os
compra. Mas costumam ser produtos terrivelmente mal-vendidos.
10. Usar o Pós-Venda para provocar a propaganda boca-a-boca
(Política de Promoção e de Pós Venda)
A tal da "propaganda boca-a-boca" (na verdade,
comunicação interclientes) é, REALMENTE, a melhor e mais eficiente
forma de divulgação de produtos como serviços de Engenharia e
Arquitetura. Mas é preciso provocar o comentário positivo e é preciso,
fundamentalmente, fazer com que o tal elogio seja efetivo. Alcance
resultados. Em outras palavras: é preciso estimular o cliente
satisfeito para que ele, efetivamente, fale bem do nosso produto. E é
preciso garantir que ele fale as coisas certas, que possam convencer
outras pessoas a procurar pelos nossos serviços.
Isso, definitivamente, não é uma tarefa fácil.
Porém, o profissional de Engenharia ou de Arquitetura que desenvolver
essas habilidades, obterá resultados fantásticos, com grande economia
de investimentos em propaganda e publicidade.