A Universidade Livre do Meio Ambiente do Nordeste (Unieco),
organização não-governamental criada há oito anos, no Recife, com a
finalidade de desenvolver projetos voltados para a área ambiental,
pretende entregar a Lula uma proposta de solução para o problema da
escassez de água no Agreste e Sertão de Pernambuco. A idéia é
construir mil barragens subterrâneas em diversas localidades,
utilizando a técnica de barramento do fluxo de água que corre abaixo
da superfície de rios e riachos das duas regiões, mesmo quando estejam
completamente secas. A captação da água é feita através de poços
amazonas localizados a montante (lado nascente) dos rios.
A tecnologia, segundo o geólogo Waldir Duarte Costa, autor do
projeto, é utilizada com sucesso desde 1981 em diversos Estados do
Nordeste, só que em Pernambuco ela começou a ser desenvolvida apenas
em meados da década de 90. Ele estima que devam existir no Estado
cerca de 500 barragens deste tipo, todas construídas durante o governo
passado, e que são a tábua de salvação de pequenas propriedades rurais
em municípios como Caruaru, Pesqueira e Belo Jardim.
Segundo o geólogo, a construção de outras mil barragens
subterrâneas beneficiaria pelos menos 100 mil pessoas. Para ele,
quanto maior for a sua profundidade e o tempo de construção, maior
será a quantidade de água acumulada por esses depósitos que são
construídos na faixa de terra conhecida como aluvião. Outra vantagem é
que, ao contrário dos reservatórios superficiais, as subterrâneas não
sofrem com os efeitos da evaporação nos períodos de estiagem.
O custo de instalação das barragens é de R$ 4 mil, cada. “Se
for construída mecanicamente, pode ser concluída dentro de um a cinco
dias, a depender da espessura e largura do depósito aluvial. Se a
construção for manual, pode durar de 15 a 30 dias, utilizando-se
sempre mão-de-obra local”, explica o geólogo.