O amianto, também conhecido como asbesto, é uma
designação comercial genérica para a variedade fibrosa de seis
minerais metamórficos de ocorrência natural e utilizados em vários
produtos comerciais. Trata-se de um material com grande flexibilidade
e resistências tênsil, química, térmica e elétrica muito elevadas e
que além disso pode ser tecido.
O amianto é constituído por feixes de fibras.
Estes feixes, por seu lado, são constituídos por fibras extremamente
finas e longas facilmente separáveis umas das outras com tendência a
produzir um pó de partículas muito pequenas que flutuam no ar e aderem
às roupas. As fibras podem ser facilmente inaladas ou engolidas
podendo causar graves problemas de saúde.
Minerais asbestiformes
Os seis minerais asbestiformes pertencem a dois grupos principais:
Grupo da serpentina
Grupo das anfíbolas
- Crocidolite
- Amosite
- Antofilite asbestiforme
- Tremolite asbestiforme
- Actinolite asbestiforme
As fibras de crisótilo são enroladas enquanto
que as fibras de amianto de anfíbolas são cilíndricas.
Os vários minerais do grupo das anfíbolas
diferem uns dos outros nos teores de cálcio, magnésio, sódio e ferro
neles contidos. Tanto os minerais do grupo da serpentina como os do
grupo das anfíbolas ocorrem em variedades fibrosas e não fibrosas,
sendo as variedades fibrosas designadas amianto. Têm sido
identificadas variedades asbestiformes de várias outras anfíbolas.
Produção mundial de amianto
Em 2005 a produção mundial de amianto rondou as
2500 toneladas, sobretudo de crisótilo, sendo os maiores produtores,
em ordem decrescente: Rússia, China, Cazaquistão, Canadá e Brasil.
Propriedades
O amianto é resistente ao calor até 1000 graus e
contra ácidos moderados e tem uma resistência à tracção ainda maior
que fios de aço com igual perfil. Em temperaturas acima dos 1200 graus
ºC, o amianto transforma-se em Olivina e suas variedades.
Usos e aplicações
Usos na antiguidade
Usado na antiguidade em mechas de lanternas, a
resistência do amianto ao fogo é desde há muito aproveitada para uma
variedade de propósitos. Foi utilizado em tecidos mortuários no antigo
Egipto bem como para fazer uma toalha de mesa para Carlos Magno, que
de acordo com a lenda este atirou ao fogo para a limpar.
Usos modernos
O amianto foi utilizado em mais de 3000
produtos, havendo aplicações específicas para os diferentes tipos.
Grupo da serpentina
O crisótilo é o mineral mais utilizado na produção de amianto. As
suas aplicações são inúmeras incluindo:
- revestimentos de travões e embraiagens de automóveis
- revestimentos e coberturas de edifícios
- gessos e estuques
- revestimentos à prova de fogo
- vestimentas de protecção à prova de fogo
Grupo das anfíbolas
- tubagens e coberturas de edifícios (misturado com cimento)
- isolamentos térmicos e acústicos
- revestimentos de tecto
Patologias causadas por amianto
Já em 1898 o inspetor-chefe de fábricas no Reino Unido
relatava ao parlamento no seu relatório anual os efeitos malignos do
pó de amianto. Nele afirmava que a natureza aguçada como vidro das
partículas quando presentes no ar em qualquer quantidade é nociva,
como se deveria esperar. Em 1906 uma comissão do parlamento britânico
confirmou os primeiros casos de morte causada por amianto e recomendou
que fosse melhorada a ventilação nos locais de trabalho, entre outras
medidas. Em 1918 uma companhia de seguros dos Estados Unidos efetuou
um estudo que demonstrava a ocorrência de mortes prematuras na
indústria do amianto e em 1926 a comissão de acidentes industriais de
Massachusetts concedeu pela primeira vez a um trabalhador doente da
indústria o direito à primeira compensação por doença causada por
amianto. Muitos dos afetados pela exposição ao amianto nos Estados
Unidos trabalhavam na construção naval durante a Segunda Guerra
Mundial.
Os problemas com o amianto surgem quando as
fibras se dispersam no ar e são inaladas. Devido ao tamanho das
fibras, os pulmões não conseguem expeli-las [Casarrett & Doull's
Toxicology (2001), pp 520-522].
Entre as doenças causadas pelo amianto incluem-se:
Asbestose - Inicialmente diagnosticada entre trabalhadores da
indústria naval dos Estados Unidos, a asbestose consiste de lesões do
tecido pulmonar causadas por um ácido produzido pelo organismo na
tentativa de dissolver as fibras. As lesões podem tornar-se extensas
ao ponto de não permitirem o funcionamento dos pulmões. O tempo de
latência (período que a doença leva a manifestar-se) é geralmente 10 a
20 anos.
Mesotelioma - Um câncer do revestimento mesotelial (pleura) do
pulmão. A única causa conhecida é a exposição ao amianto. O período de
latência do mesotelioma pode ser de 20 a 50 anos. A maior parte dos
doentes morre em menos de 12 meses após o diagnóstico.
Câncer - Câncer do pulmão, do trato gastrointestinal do rim e
laringe foram associados ao amianto. O período de latência é muitas
vezes 15 a 30 anos.
Verrugas de amianto - produzidas quando fibras aguçadas se alojam
na pele sendo recobertas por esta causando crescimentos benignos
semelhantes a calos.
Placas pleurais - espessamento de parte da pleura visível por meio
de radiografias em indivíduos expostos ao amianto.
Espessamento pleural difuso - semelhante à anterior. Geralmente
assintomática, pode causar perda de capacidade respiratória se a sua
extensão for grande.
Riscos da exposição ao amianto
Quase todas as pessoas são expostas ao amianto nalgum
momento das suas vidas. No entanto, a maioria das pessoas não adoece
em conseqüência dessa exposição. As pessoas que adoecem devido à
exposição ao amianto são geralmente aquelas expostas de forma regular,
a maior parte das vezes no seu posto de trabalho em que contatam
diretamente com o material ou através de contacto ambiental
substancial.
Proibição
Devido a asbestose, algumas localidades no Brasil e no
mundo já baniram o amianto. A sua comercialização e, em alguns casos,
a produção já foi proibida permanentemente.
Substitutos do amianto
Como conseqüência da proibição quase
generalizada de utilização de amianto têm surgido numerosos materiais
como seus possíveis substitutos. No entanto, nenhum deles se mostrou
tão versátil como o amianto. Alguns dos materiais substitutos são:
silicato de cálcio, fibra de carbono, fibra de celulose, fibra
cerâmica, fibra de vidro, fibra de aço, wollastonite, aramida,
polietileno, polipropileno, politetrafluoretileno. Em aplicações que
não requerem as propriedades de reforço das fibras perlite,
serpentina, sílica e talco.